terça-feira, 17 de junho de 2014

Imortalidade da alma: da crença à convicção

Pintura “Ressurreição de Cristo” de Raffaello Sanzio
A imortalidade da alma é o ponto de partida do Espiritismo1, pois é nela que está fundamentada toda a sua ciência e filosofia. Assim, a Doutrina dos Espíritos responde às seguintes indagações: a sobrevivência da alma à morte corporal é uma realidade ou uma falácia? Existem provas materiais de tal fato? Quais são elas? Ou a sobrevivência da alma é um artigo de fé que não pode ser questionado? A religião, em especial o Cristianismo, também tem como pedra angular a crença na imortalidade da alma. Portanto, o que de novo o Espiritismo nos traz uma vez que o Cristianismo, que é milenar, já professava tal dogma muito antes da revelação espírita que só tem um pouco mais de 150 anos?
O Cristianismo está fundamentado nos livros sagrados do novo testamento, que relatam o nascimento, vida, pregação, curas, milagres e morte de Jesus Cristo. Os quatro livros dos Evangelhos atribuídos a Mateus, Marcos, Lucas e João narram com detalhes a morte e ressurreição do Cristo.
De forma sucinta, as escrituras revelam que Jesus morreu crucificado e três dias depois apareceu e conversou com seus discípulos, dando provas da sua ressurreição, ou seja, da sua imortalidade. Para o cristão, a ressurreição de Jesus é o pilar que sustenta a sua religião. Veja abaixo o que o Padre Fábio de Melo tem a dizer a esse respeito.     
“O que me instiga em tudo isso é a falta de provas para o fato. O sepulcro estava aberto, vazio. Mas isso não era o suficiente para que a ressurreição fosse proclamada. Alguém poderia ter roubado o corpo. Não faltariam incrédulos para essa suspeita.”
“A certeza da ressurreição não consiste em provas materiais para o fato. A imposição dessa verdade não passa pela materialidade do mundo, nem tampouco pode ser explicada através das claras regras que foram postuladas por nossa razão cartesiana.”2
Fica claro que a ressurreição de Jesus para o cristão não passa pelo crivo da ciência e nem da razão. É um artigo de fé.
O Espiritismo nasceu num momento de incredulidade da Humanidade. O século XIX foi tomado por filosofias que afastaram o homem da religião. O Materialismo e o Positivismo colocaram em xeque todos os dogmas religiosos, entre eles, o da imortalidade da alma e da própria existência de Deus. Essas filosofias causaram grande impacto sobre a Humanidade, pois empurraram o homem para a satisfação plena dos gozos terrenos, sem se importar com próximo, pois se não há provas materiais da imortalidade da alma, logo ela não existe. Portanto, deve-se aproveitar ao máximo o tempo que resta em vida, pois o que importa é o agora.
Contrariando esse movimento, o Espiritismo, fundamentado no próprio Positivismo, vem mostrar que a imortalidade é fato demonstrável pela razão e pela ciência. Este processo foi iniciado pelos fenômenos das mesas girantes, que tomaram conta dos salões europeus em meados do séc. XIX, entretendo a sociedade da época. No entanto, descobriu-se que por trás daquela brincadeira inocente existia uma das potências da Natureza a interferir, de forma oculta, incessantemente sobre nós: os Espíritos, pois “são os seres inteligentes da Criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.”.3
A demonstração da imortalidade da alma passa pelo estudo sério, perseverante e regular da natureza dos Espíritos. Este ensino, que veio dos próprios Espíritos, nos possibilita esclarecer de que maneira eles podem intervir sobre a matéria inerte e orgânica. Os fenômenos espíritas de efeitos físicos, como as mesas girantes, e inteligentes, como pela fala e escrita, passam pela existência do médium, pessoa dotada de uma faculdade especial. Ele é o intermediário entre nós e os Espíritos. Portanto, faz-se necessário também que se estude a sua faculdade, que chamamos de mediunidade.
Diferente do que supõem muitos opositores do Espiritismo, ele não veio para condenar ou destruir a religião, mas ao contrário, veio dar-lhe amparo e sustentação, pois demonstra a possibilidade e realidade de muitos dos seus dogmas. Veja o que Kardec diz a esse respeito:
“...o Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião e respeita todas as crenças; que um de seus efeitos é incutir sentimentos religiosos nos que os não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes.”4 
A imortalidade da alma é um dos dogmas da Igreja sobre o qual o Espiritismo repousa. Não podemos deixar de citar naturalmente, que a moral de Jesus de Nazaré está em consonância com o ensino dos Espíritos Superiores, ou seja, o Espiritismo ratifica a necessidade da transformação moral do homem que Jesus nos convidou a fazer.
Foram estes os motivos que levaram Kardec a chamar os espíritas de adeptos do Espiritismo5, e não crentes. O adepto é aquele aderiu a uma filosofia, pois a compreendeu, ou seja, está convencido das suas ideias pelo uso da razão. Por isso, ele sentenciou: “O Espiritismo é o resultado de uma convicção pessoal...”6. Portanto, continuemos a estudar a Doutrina espírita de forma séria e continuada, pois ela não pode ser aprendida de um dia para o outro, para nos convencer que somos Espíritos imortais, e que este ensino nos alavanque definitivamente a nos tornarmos mulheres e homens de bem.        
 Por João Viegas 
         Referências bibliográficas 
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 64ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, item 19. 
2. Melo, Fábio de. Ressurreição, tempo de misericórdia. Site: http://www.fabiodemelo.com.br/ de 24/04. 
3. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, pergunta nº 76. 
4. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 64ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, item 24. 
5. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Introdução. Item I.
6. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Introdução. Item VII. 


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