segunda-feira, 27 de abril de 2020

Entrevista com Jaqueline Caimo

                             

         O momento pelo qual o Planeta vive hoje de pandemia do novo coronavírus é de muita gravidade. Até o momento, mais de 3 milhões de pessoas foram infectadas e mais de 210 mil1 vidas foram ceifadas pela COVID-19 em todo mundo, tudo isto num período de 4 meses. No Brasil, os infectados passam de 66 mil e há mais de 4 mil1 mortes. Apesar dos números serem, por si só, assustadores, tanto de infectados como de mortes, esta doença torna-se distante quando não estamos frente a frente com este inimigo invisível.

Porém, há uma pequena parcela da sociedade que convive com a pandemia quase que diariamente. Parcela esta que é testemunha ocular destes números que são frios quando expressos nestas linhas, no entanto, ganham significado real quando se vê a morte bem de perto.

Refiro-me, naturalmente, aos profissionais de saúde, que hoje representam, simbolicamente, os soldados que estão no front, nas trincheiras, prontos para lutar contra o inimigo. Infelizmente, essa condição expõe a vida destes profissionais e de seus familiares também.

Por fim, para tentar sensibilizar nosso querido leitor da gravidade da situação e fazer uma singela homenagem aos profissionais de saúde, convidei a técnica de enfermagem Jaqueline Caimo a conceder essa entrevista, que gentilmente aceitou. Segue a transcrição abaixo:

 

Espiritismonaessencia - Jaqueline, inicialmente, gostaria de agradecer por aceitar o convite. Por gentileza, fale um pouco sobre você, sua profissão e religião?

Jaqueline - Agradeço a oportunidade de participar e contribuir um pouco neste blog. Sou Jaqueline Caimo, formada como Técnica de Enfermagem atuante na área de maternidade, sou cristã, religião católica, atuante na minha religião colaborando sempre que necessário, participando das atividades religiosas (missas, catequese e liturgia).

 

Espiritismonaessencia - Como a pandemia do novo coronavírus mudou a sua rotina no trabalho e em casa?

Jaqueline - O maior impacto da rotina é o isolamento social por ser da área da saúde devendo preservar minha família e potencializar os cuidados com a higiene antes de chegar em casa, após a saída do plantão hospitalar. Está sendo necessário me resguardar com relação às saídas em geral que não são caracterizadas como atividade essencial.

 

Espiritismonaessencia - Como é ter que conviver com uma doença que provoca muitas mortes diariamente e com o medo de se contaminar e contaminar sua família?

Jaqueline - Todos nós temos medo, principalmente aqueles que apresentam alguma comorbidade (doença preexistente) e que se enquadram na classe de risco, pois é a forma da doença ser mais agravante quando infectado. Trabalhamos de forma insegura na maioria das vezes pela alta velocidade da propagação da doença e por não ter EPI’s necessários e adequados para os procedimentos com esses pacientes, a preocupação e o medo também são maiores pela falta de leitos apropriados nos hospitais e pela falta de capacitação dos funcionários, e diversas situações.

Hoje o que nos move é a fé, e a esperança que dias melhores cheguem o mais rapidamente possível.

 

Espiritismonaessencia - Qual é a sua leitura dos outros profissionais de saúde que trabalham com você? Quais são os sentimentos que permeiam os corações dessas pessoas?

Jaqueline - Convivemos com um inimigo invisível que vem tirando a vida de muitos, os primeiros sentimentos são de medo e preocupação pela forma fácil de contaminação da doença, a preocupação é coletiva neste momento, principalmente com os nossos familiares e com nós mesmos que somos da área da saúde e que estamos na linha de frente com risco máximo de contaminação. A precaução do distanciamento dos nossos familiares é medido através do AMOR que temos para com eles nesta situação, tentando preservar as suas vidas.

 

Espiritismonaessencia - Você pode nos relatar algum caso que ocorreu durante a pandemia que tenha lhe marcado?

Jaqueline - São muitos casos, o mais impactante é o fato da família não conseguir se despedir do seu ente querido por conta da contaminação.

 

Espiritismonaessencia - Como a sua fé tem lhe ajudado a suportar esse momento? Você consegue imaginar passar por essa pandemia sem fé?

Jaqueline - Acreditar no Deus vivo que tudo isso chegue ao fim o mais breve possível, e que somente Deus nos proporciona esta força, fé e esperança. Minha fé é o meu sustento de agora.

 

Espiritismonaessencia - Essa pandemia já tem provocado mudanças em você? Do ponto de vista de visão de mundo, de conduta e comportamento? Como será a Jaqueline depois que essa pandemia passar?

Jaqueline - Sim, a valorização da vida, das pessoas queridas e que todos nós somos importantes para o outro, que a nossa profissão seja vista com mais respeito e reconhecimento, e que nós profissionais da área lutemos por essa valorização. Após essa pandemia não tem como ninguém ser mais o mesmo de antes, a valorização das relações pessoais, profissionais, religiosas com certeza terão laços mais fraternos e humanizados.

 

Espiritismonaessencia - Qual é a mensagem que você deixa para a sociedade sobre a pandemia?

Jaqueline - Gostaria de conscientizar a todos pelo amor próprio e ao próximo na luta contra esta guerra, devemos aderir o isolamento social e respeitar todas as recomendações de medidas preventivas para reduzir o nível da velocidade da contaminação, para que ao final de tudo o prejuízo seja o menor possível.

 

Espiritismonaessencia - Gostaria de agradecer, mais uma vez, Jaqueline, a sua disponibilidade em aceitar esse convite. Quero externar minha profunda admiração por você e por todos os profissionais de saúde que estão na linha de frente desta guerra, que estão lutando a favor da vida. Suas palavras finais.

Jaqueline - Cada um é responsável pelos seus atos e decisões, e neste momento possamos realizar a corrente do bem conscientizando a si próprio, buscando força, auxílio e proteção do nosso Deus que é esperança e a paz, e que o amor esteja no coração de todos para enfrentarmos com positividade esta provação. Estamos todos nesta guerra, ou melhor, somos os soldados da guerra e queremos sair dessa também com vida porque também somos o amor de alguém.

 

Referência bibliográfica

1 https://coronavirus.jhu.edu/#covid-19-basics

   


domingo, 19 de abril de 2020

Ánalise da mensagem "Lidar Consigo Mesmo"

 

A mensagem, cujo título é “Lidar Consigo Mesmo”, publicada aqui no blog, traz muitas reflexões e também possui alguns símbolos que cabem uma análise para compreendermos o seu verdadeiro sentido. Vamos abaixo tecer comentários a respeito:

O Espírito procura mostrar a oportunidade de aprendizado decorrente das medidas preventivas de contenção da pandemia do novo coronavírus, em especial, das medidas de isolamento social. Isolar-se da sociedade traz dois desafios: o de conviver com a solidão e com aqueles que moram conosco, a nossa família.

A solidão é uma oportunidade para lidar com os próprios sentimentos: a angústia, o medo e o temor. Essas são as palavras do Espírito. E lidar com eles é motivo de muito sofrimento, sendo o convívio com a sociedade a nossa válvula de escape. Com isso, a solidão é um caminho para o autoconhecimento. E o processo de transformação moral deve ser precedido dele. Mas o Espírito vai mais além, afirmando que a solidão é uma oportunidade para se amar. Se amar, neste sentido, pode ser compreendido como aceitação da nossa própria condição moral. Enfim, autoconhecimento e aceitação são os ingredientes necessários para a autotransformação.

Ainda falando da necessidade de se amar, o Espírito remete-se implicitamente ao 2º mandamento cristão: “amar ao próximo como a si mesmo”, pois só é possível amar o outro quando se ama, só é possível aceitar o outro quando se aceita, só é possível cuidar do outro quando se cuida, só é possível admirar o outro quando se admira. Enfim, a regra de ouro, representada na lei e os profetas, resumida na frase “fazer aquilo que gostaríamos que nos fizessem” é ressignificada, pois o bem deve ser feito inicialmente a si mesmo, e com este aprendizado adquirido, temos condições para fazer o bem ao próximo e amá-lo.

Mas há outro desafio: o do convívio familiar. Estar isolado implica ficar mais tempo com aqueles com quem moramos. E diante de um cenário hostil que vivemos de confinamento, com sentimentos não muito nobres a flor da pele, qualquer desentendimento, por menor que seja, pode desencadear um conflito sério, ao ponto de chegar em agressão física. Com efeito, a imprensa tem divulgado um aumento das denúncias de violência contra mulher nesse período de confinamento. Infelizmente, é um efeito colateral desta crise. Diante desse quadro, a tolerância é um caminho para pacificação, sendo a sugestão do Espírito simples e direta: “aproveita esse momento para conversar”.

O Espírito tece críticas às religiões que distorceram seu papel diante da nobre função de contribuir na comunhão das mulheres e homens para com Deus. Um exemplo desta distorção são os crimes de intolerância religiosa sofridos por religiões afrodescendente, infelizmente motivados por um sentimento equivocado de fundamentalismo religioso. Esta questão, inclusive, foi tema de um artigo do blog. Enfim, “Matar em nome de um Pai” parece distante para os brasileiros, mas não é incomum em outras regiões do mundo. Cito, como exemplo, o ataque assassino a redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo em 2015, no qual 15 pessoas foram mortas por extremistas islâmicos por Alá e vingança à Maomé.

Para falar propriamente das mortes provocadas pela pandemia do novo coronavírus que assola o planeta, o Espírito utiliza-se de um símbolo mítico: a Mãe Natureza. E esclarece que esta pandemia é um processo educativo, pois permite a mulheres e homens aprenderem a lidar com os sentimentos mais grosseiros, que nos afastam de Deus. O medo da morte é um deles. Numa visão espiritual deste momento, até a morte é um processo educativo para o espírito imortal que volta à Pátria Espiritual.

Por fim, é feito um alerta: é possível que nem todos aprendam com esta crise, e quando ela terminar, quando voltarmos ao convívio na sociedade, os sentimentos mais grosseiros como egoísmo, orgulho, inveja, vaidade, apego à matéria, ciúme, violência, ódio, rancor e tantos outros voltem com muito mais força do que antes. E o Espírito lança mais um símbolo: a manada sendo atacada por leões. Do ponto de vista espiritual, podemos interpretar este símbolo como os processos obsessivos em massa que são justamente viabilizados pelos sentimentos citados acima. Sendo assim, quando o Espírito afirma que “os leões atacam os doentes”, ele está se referindo as doenças da alma, que são os vícios morais, causa de todo nosso mal.

Ele termina de forma enigmática, pois coloca esse momento como um processo de educação moral, de fortalecimento da fé em Deus e em si mesmo. Sugere, portanto, que quando chegar momentos mais difíceis do que esse, estaremos prontos para enfrentá-lo, assim como o soldado está pronto para guerra.

sábado, 18 de abril de 2020

Lidar consigo mesmo

 

Queridos leitores!

Diante do momento que o Planeta vive hoje, mergulhado na pandemia do novo coronavírus, que até agora ceifou a vida de mais de 150 mil pessoas pelo mundo em menos de 4 meses, publico uma mensagem que recebi ainda em março que circulou pelas redes sociais. Infelizmente, não foi possível encontrar a sua fonte. Mas tudo indica que se trata de uma entidade que trabalha em terreiro de umbanda ou candomblé. Quero dizer com isso que é bem provável que seja um Preto Velho. Visto que a Espiritualidade Superior opera em todos os grupos mediúnicos sérios, independente de crença ou culto, julgo muito oportuno publicar essa mensagem num ambiente eminentemente espírita. Minhas motivações são simples. Embora a linguagem seja caracterizada por esse tipo de entidade, a sabedoria por trás desta roupagem nos traz muita reflexão sobre o momento atual em que vivemos, reflexão essa pouco comum encontrada no movimento espírita. Sendo assim, tomei a liberdade de fazer adequações ao texto para facilitar a leitura. Portanto, ofereço esta mensagem aqueles que tem a mente e o coração abertos para novas possibilidades, sendo também um exercício de humildade. Em breve, publicarei um artigo de análise desta mensagem. Aproveitem!

Lidar Consigo Mesmo
Na verdade, nesses tempos em que a Terra está passando, as pessoas estão falando que é para aprender, praticar a caridade, aprender concórdia, aprender comunhão. Na verdade, não! Já foi ensinado muito disso. Veja o desespero que as pessoas estão? Elas estão mais egoístas ainda. Sabe por quê? Porque o medo cega, a angústia cega, o desespero cega, é uma lei de sobrevivência do animal. Eu tenho que reservar as minhas coisas e que os outros morram.  
Na verdade, esse momento é oportuno para uma coisa só:  lidar consigo mesmo, lidar com o silêncio da alma, lidar com o silêncio do coração. As pessoas não estão conseguindo ficar quietas dentro de casa, não é porque estão acostumadas a sair. É porque estão acostumadas a fazer o uso de coisas externas para não lidar com a angústia interna. Se está incomodado ficar dentro de casa, o incômodo não é a casa física, não é? Comece a se admirar, comece a se amar, comece a se gostar, comece a se cuidar, comece a se abraçar, já que não pode abraçar os outros. Comece a se tocar, já que não pode tocar os outros.
Este é um ensino verdadeiro! Por que se eu me enxergo, se eu me toco, se eu me abraço, se eu me amo, eu amo os outros. Fora isso, é mentira! Fora isso, é fazer de atitudes externas a justificativa para não lidar com o interno.
Por isso que as pessoas estão angustiadas dentro de vossas casas. As famílias já não se conhecem mais, porque já não se conversam mais. É um estranho com um estranho, aproveita esse momento para conversar. Este é o aprendizado maior: se trancar para se abrir, se trancar para crescer, se trancar para se descobrir.
O silêncio dói, a solidão é necessária para quando voltar a viver em sociedade saiba o vosso papel, saiba o vosso lugar de responsabilidade no mundo. É o momento de descanso e de descoberta. Porque o ser humano estava tão na loucura e na correria, e usando as coisas da ciência e da tecnologia para se afastar mais. E hoje, tudo isto é para que se una mais consigo mesmo, para quando precisar se reunir com os outros, saiba do papel, saiba da responsabilidade.
A natureza é mãe e como mãe está ensinando. Já não respeitam mais o Pai. O Pai é a essência e ninguém toca no Pai. Fizeram tanta bagunça com a imagem do Pai, mataram em nome de um Pai, que é Deus! Fizeram e desfizeram e ainda fazem. Aí vem a mãe dizer: eu sou matéria. Eu sou aquilo que vocês são porque vieram do meu ventre. Então eu lhes educo e faço voltar também ao Pai.
É o equilíbrio da criação, portanto. É a mãe tentando ensinar ao filho, e a energia feminina ensina através do que? Dos sentimentos. É a mãe ensinando os filhos a lidar com sentimentos. Lide você consigo mesmo. Não deixe o medo, o temor, a angústia tomar conta. Abrace a mãe, perceba a mãe. Se necessário, volte ao útero da mãe para se refazer. A mãe é bondosa, não é castigo, é ensino.
Tome muito cuidado porque vocês podem fazer o inverso, ao invés de se fortalecer, se compreender e lidar com a solidão, com apego às pessoas, lidar com tudo isso e sair maior. Vocês podem sair mais egoístas, e aí vira presa fácil, também.
Imagine uma grande manada, uma grande manada. Os leões atacam os doentes, eles não atacam os fortes. Então se fortaleça para que outros momentos piores que estes, quando vierem, vocês já tenham sido um bom soldado. Fortalecido em si mesmo, carcado na fé, suportado por aquilo que é sagrado. Valorizando aquilo que merece valor. Não é isto que estão tendo que aprender?
Que assim seja! Que haja o aprendizado!