domingo, 27 de julho de 2014

A Inspiração que vem dos Pais da Natureza

O pinguim-imperador e seu filhote  
A Natureza é fonte inesgotável de inspiração. Podemos e devemos aprender com ela, pois nos dá lições inesquecíveis. Em homenagem ao Dia dos Pais, que se comemora no 2º domingo do mês de agosto, gostaria de fazer uma menção honrosa àquele que podemos eleger o melhor pai da Natureza: o pinguim-imperador. Quem já viu o filme “Happy Feet – O Pinguim”, lançado em 2006, sabe do que estou falando.
O pinguim-imperador vive na Antártica, região de clima extremo, principalmente no inverno que tem ventos fortes que fazem a temperatura cair para 70ºC negativos. A fêmea entrega o ovo ao seu parceiro e ela segue viagem em busca de alimento. Porém, só voltará quando o inverno acabar.
Enquanto isso, o macho tem sobre seus pés a responsabilidade de chocar seu herdeiro. Sem bebida e nem comida, só lhe resta esperar entre 2 a 4 meses até aparecer os primeiros raios de sol.
Porém, essa espera é uma batalha incessante contra o frio. O grupo de pinguins machos que guardam seus ovos, permanecem unidos para se manterem aquecidos, revezando suas posições para todos sobreviverem. O pinguim sabe que não pode se descuidar, pois se deixar o ovo escapar e cair no chão gelado, poderá ser fatal.
Mesmo tendo vencido o inverno e seu filhote ter nascido, a sua tarefa não acabou. É necessário esperar o retorno de sua parceira com os peixes. Tendo perdido a metade de seu peso, ele ainda produz uma secreção proteica, semelhante ao leite, para garantir a sobrevivência de seu filhote até a chegada dela.
Quando a fêmea chega, saciando a fome dos dois, existe, a partir de agora, um trabalho de cooperação do casal, revezando-se entre cuidar do filhote e caçar, até que ele ganhe a sua liberdade.
Diante deste quadro acima, vem a seguinte pergunta: Qual é a motivação do pinguim-imperador? A Biologia nos esclarece que o desejo de levar a frente a sua linhagem, com sua carga genética, é que leva o pinguim a se submeter a todo tipo de sacrifício pela sobrevivência da prole. Faz parte do instinto de sobrevivência da espécie. No entanto, qual deve ser a motivação dos pais humanos, em especial, dos pais espíritas?    
A consciência que somos Espíritos imortais, que a nossa verdadeira Pátria é o mundo espiritual, que estamos revestindo esse corpo carnal temporariamente para galgar mais um degrau na senda do progresso, rumo à perfeição, que somos criações de Deus, e seu ato de nos criar se deu muito antes da concepção carnal, que a nossa história conta de muitas existências e ainda teremos tantas outras quantas forem necessárias, nos força encarar os laços de família de maneira muito diversa.
A família é o reencontro de almas que já se relacionaram em encarnações anteriores. São amores, mas também desafetos do passado, que estão ligados pelos laços sanguíneos para fortalecer os laços de amor e cumprir as tarefas redentoras da reconciliação e da reparação. Se Deus nos permitiu a bênção do esquecimento deste passado é para nos ajudar no cumprimento de nossas atribuições, e assim termos a certeza do que importa é o que vamos fazer daqui pra frente.
Portanto, temos motivos muito mais nobres que o pinguim-imperador para sermos pais exemplares. Temos, por sua vez, a obrigação de ser muito mais cuidadosos que eles. No entanto, em momentos de vacilação, de dúvida, de cansaço, de depressão no exercício de nossas tarefas familiares, lembremo-nos dos melhores pais da Natureza.
                                                                                  Por João Viegas

Referências bibliográficas:
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Laços de família, cap. VII Da Lei de Sociedade, Parte Terceira – Das leis morais
2. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 99ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, A Ingratidão dos filhos e os laços de família, cap. XIV Honrai a Vosso Pai e a Vossa Mãe.

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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Quem é você?

Comédia "Tratamento de Choque" de 2003
A comédia “Tratamento de Choque”, filme de 2003 com Adam Sandler e Jack Nicholson possui um cena que abre uma discussão bem humorada sobre a resposta ao título deste artigo. Dave Buznik, personagem vivido por Sandler é sentenciado a fazer uma terapia de raiva após passar por uma confusão entre uma aeromoça e um policial durante um voo. Para isso, ele procura o Dr. Buddy Rydell (Nicholson) que o convida a uma terapia de grupo. Após ter ouvido os dilemas de alguns de seus colegas chegou a sua vez de se apresentar. O Dr. Rydell pergunta:
“Então, Dave, nos fale de você. Quem é você?”
“Eu sou um assistente executivo de uma grande empresa de produtos para animais.”, responde Dave.   
“Dave, não quero que nos diga o que você faz, quero que diga quem é você?”, retruca o Doutor.
“Ah! Eu sou um bom rapaz. Eu gosto de jogar tênis de vez em quando...”, disse Dave.
“Não quero saber de seu robby, Dave. Simplifique, diga quem é você?”, indaga novamente o Doutor. Depois de alguma resistência em responder, ele continua.
“Eu sou um cara gentil, calmo, um pouquinho indeciso de vez em quando...”
O Dr. Novamente o interrompe, dizendo:
“Dave, está descrevendo sua personalidade. Eu quero saber quem é você?”. Dave perde a paciência com o Dr. Rydell, gritando com ele, criando um grande constrangimento perante o grupo.
O oráculo de Delfos, templo religioso pagão, à época do antigo mundo grego, foi construído para o deus Apolo, sendo muito visitado por reis, generais, colonizadores e cidadãos comuns. Todos estavam em busca de respostas, orientações e conselhos às suas dúvidas que Apolo profetizava através de uma mulher. No entanto, existem registros que na entrada do oráculo havia a seguinte inscrição:
“Conhece-te a ti mesmo”.7       
Será que nós ainda continuamos a repetir os costumes de nossos antepassados gregos? Buscando respostas às nossas dúvidas no meio externo? Esquecendo que muitas delas se encontram em nosso íntimo? A Doutrina espírita faz um resgate deste ensinamento.
A resposta à pergunta de nº 919 de “O Livro dos Espíritos” nos ajuda a esclarecer esta questão. Os espíritos esclarecem que para o homem conseguir se melhorar e resistir ao mal é necessário o conhecimento de si mesmo, recomendação já feita pelos filósofos gregos.
Mas Kardec insiste: Qual o meio de consegui-lo? Segue abaixo parte da orientação do Espírito Santo Agostinho.
“...Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar...”, e continua.
“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual.”1
Podemos também analisar esta questão por outro ponto de vista. Mais uma vez recorro aos filósofos gregos.
Sócrates e seu discípulo Platão foram filósofos gregos que viveram há mais de 300 a.C., e que acreditavam na existência da alma. Eles foram mais além, pois não só defenderam a imortalidade da alma como também a sua existência anterior ao corpo físico e as vidas sucessivas. Platão desenvolveu uma teoria sobre os dois mundos: o primeiro é o mundo que conhecemos; carnal, palpável e sensorial. O segundo é o mundo das ideias; imaterial, impalpável e inteligível. O corpo para a alma é um cárcere onde ela anseia se libertar e retornar para a sua verdadeira morada, de onde saiu que é o mundo das ideias.
Ao estudar Sócrates e Platão, como fez Kardec na introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” é fácil concluir que estes filósofos já traziam o gérmen dos princípios espíritas, assim como Jesus de Nazaré introduziu no povo judeu o conceito sobre a vida futura, chamando o mundo das ideias de Sócrates e Platão de Reino de Deus e dos Céus.
Os Espíritos Superiores mais uma vez ratificam estes ensinamentos através da resposta à pergunta de nº 76 de “O Livro dos Espíritos”. Kardec questiona:
“Que definição se pode dar dos Espíritos?”
“Pode dizer-se que os Espíritos são seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.”2, respondem os espíritos.
Nós somos também espíritos, com a diferença que estamos temporariamente revestidos deste corpo físico, e retornaremos ao mundo espiritual assim que este invólucro perecível não tiver mais condições de ser “habitado” por nós, ou seja, quando se der a sua morte o espírito se liberta carregando consigo a sua individualidade, consciência, inteligência e caráter, trazendo da Terra apenas o bem e o mal feitos aos outros e a si mesmo.
Nós não vamos nos transformar em pessoas melhores só pelo fato da morte corporal. Seremos os mesmos, com as mesmas angústias, desejos e caráter. Portanto, tratemos de seguir os conselhos dos filósofos gregos e de Santo Agostinho para aproveitar ao máximo a dádiva da vida encarnada.
Por João Viegas

Referências bibliográficas:
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Conhecimento de si mesmo, cap. XII Da perfeição moral, Parte Terceira – Das leis morais
2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Origem e natureza dos Espíritos, cap. I Dos Espíritos, Parte Segunda – Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos.
6. A Fonte do Poder, no Oráculo de Delfos, John R. Hale, Jelle Zeilinga De Boer, Jeffrey P. Chanton e Henry A. Spiller; setembro de 2003, pág. 58. da revista SCIENTIFIC AMERICAN Brasil.
7. O Mundo de Sofia – Romance da história da filosofia. Tradução de João Azenha Jr.. 24a reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, O Oráculos de Delfos, Cap. O Destino.
       8. O Mundo de Sofia – Romance da história da filosofia. Tradução de João Azenha Jr.. 24a reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, Cap. Platão.

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