domingo, 15 de dezembro de 2019

O Presépio: a origem da estrela de Belém


“E eis que a estrela que tinham visto no céu surgir ia à frente deles (magos) até que
parou sobre o lugar onde se encontrava o menino1
Evangelho de Mateus    
“E eis que a estrela que (os magos) tinham visto no Oriente ia diante deles até que entraram na caverna, e ela (a estrela) postou-se no umbral da caverna.” 2
Antes de começarmos a discorrer sobre a visita de magos ao menino Jesus, achamos relevante elaborar um artigo, que deve ser considerado preliminar, acerca da estrela que os guiou. Posteriormente, vamos publicar um artigo sobre a tradição da visita.
Pois bem, estamos diante de duas fontes, uma canônica (evangelhos contidos no Novo Testamento) e outra apócrifa (evangelhos ocultos e proibidos pela Igreja) que também relatam que magos foram orientados por uma estrela para chegar até o local onde Jesus nasceu. Sendo assim, é fácil entender porque encontramos em alguns presépios a estrela no topo.
Sem levar em consideração, nesse momento, o ambiente onde ele nasceu, pois as referidas fontes divergem sobre esse assunto, e nem mesmo a verossimilidade de tal evento, temos duas fontes que relatam sobre a estrela. Mas isso seria motivo para atestar a veracidade da tradição?
A resposta é negativa. A composição do evangelho da Infância de Tiago é bem posterior ao de Mateus. É fácil inferir que o autor do apócrifo teve acesso as tradições do nascimento contidas em Mateus, tendo o trabalho de copiá-las e adequá-las as suas necessidades. Citamos algumas tradições contidas em ambos os manuscritos: a virgindade de Maria, o sonho que José teve com um anjo do Senhor, dizendo-lhe para receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo, a visita dos magos e a matança das crianças em Belém por Herodes.
Sendo assim, a tradição mais antiga da estrela, continua sendo a de Mateus.
Nós gostaríamos de chamar a atenção do querido leitor que Mateus relata que a estrela, vulgarmente chamada de “A Estrela de Belém”, levou magos do Oriente até Jerusalém, acreditando que aquele evento singular era o sinal do nascimento do rei dos judeus. Depois de terem tratado o assunto com Herodes, rei da Judeia, ela continuou guiando-os até Belém, no lugar onde o Cristo nasceu, segundo a tradição. O referido evangelho apócrifo é concordante com Mateus nesse aspecto, sendo praticamente uma cópia.
A Bíblia Jerusalém traz nota a respeito dos magos na tentativa de compreender como eles conseguiram interpretar o movimento da estrela, afirmando que eles podem ser considerados sábios astrólogos provenientes do Oriente.
Tratemos agora da verossimilidade: para que magos chegassem até o local do nascimento de Jesus, apenas guiados por uma estrela, fora necessário existir um astro que burlasse as leis da física, pois ela estava à frente deles até parar sobre o lugar onde se encontrava o menino. A própria Bíblia de Jerusalém admite que se trata de um astro miraculoso. Mais delirante é o relato apócrifo, afirmando que a estrela entrou na caverna, postando-se na escuridão.
Numa tentativa de buscar compreender de onde Mateus tirou essa tradição lendária, teceremos as seguintes considerações do ponto de vista astronômico:
a)    A estrela de Belém foi um cometa
fonte: https://www.ricardocosta.com/tapecaria-de-bayeux-c-1070-1080
Rei Haroldo II assume o trono inglês durante a passagem do
    cometa Halley, sendo interpretada como um mau presságio,
       pois ele é morto ao final da batalha de Hastings.  
Há registros feitos por astrônomos que cometas foram avistados no período próximo ao nascimento de Jesus. Com efeito, os cometas gravitam em torno do Sol, aproximando-se e distanciando-se da Terra em períodos regulares. A sua cauda, por sua vez, nos dá a impressão que ele esteja apontando para algum ponto no horizonte. Porém, observadores em lugares diferentes, terão percepções diferentes do “apontamento” do cometa.
Sendo assim, foi possível avistar o famoso cometa Halley no ano 12 AEC4 ou 5 ou 6.
Astrônomos chineses afirmam que, por volta do ano 5 AEC, apareceu um cometa na constelação de Capricórnio4 ou 6.
https://super.abril.com.br/ciencia/onde-esta-o-cometa-halley/
Cometa Halley. Visita a Terra a cada 75 anos aproximadamente. 

O problema desta teoria é que, diante da singularidade do nascimento do Cristo, cometas não são eventos muito raros. O Halley, por exemplo, pode ser avistado a cada 75 anos aproximadamente, senso a sua última passagem pela Terra foi em 19867. Além disso, há diversos registros de cometas ao longo da história8. Outra questão é que eles foram associados a um mau presságio por perturbar a ordem do firmamento e por ser um aviso de flagelos, morte e destruição. Apesar disso, é possível encontrar obras de arte da Idade Média representando o presépio com os magos guiados por um cometa9.   
b) A estrela de Belém foi uma “nova’ ou "supernova"
De forma bem sucinta, diremos que a “nova” ou "supernova" é o aumento brusco e excessivo da luminosidade de uma estrela, provocado por explosões nucleares. Esse fenômeno, dependendo das circunstâncias, pode ser visto a olho nu, podendo perdurar por dias e até meses. Sendo assim, segundo o registro de astrônomos do Oriente, ocorreu numa “nova” na pequena constelação de Áquila, por volta do ano 4 AEC.4 ou 6
Fonte: http://astro.if.ufrgs.br/evol/node51.htm
Super Nova descoberta em 1987
Somos forçados a concordar que o relato do evangelho da Infância de Tiago lembra muito uma “nova” ou “supernova”. Eis a reposta dos magos a Herodes sobre os sinais que viram no céu a respeito do rei dos judeus:
“Vimos uma estrela magnífica surgir brilhando entre as demais estrelas e obscurecendo-as, de maneira que as outras estrelas desapareceram.” 2
Segundo estimativas dos astrônomos, ocorrem em média 5 novas por ano em galáxias como a via láctea. No entanto, as supernovas são eventos mais singulares, com média de uma a cada 300 anos. Ao longo da história, há registros de 4 supernovas6.
c) Conjunção Tripla
Esta teoria é, sem dúvida, a mais engenhosa e que mais se adequa as tradições da Estrela de Belém. Segundo o astrônomo David W. Hughes, especialista no assunto, ele leva em consideração a ida dos magos primeiro a Jerusalém e depois a Belém, conforme a tradição. Ele afirma que “a melhor explicação para essa série de eventos é algo conhecido como conjunção tripla entre Júpiter e Saturno - com os dois planetas aparecendo próximos no céu por três vezes em um curto período. Isso acontece quando você tem um alinhamento entre o Sol, a Terra, Júpiter e Saturno. E uma vez que os planetas se alinhem em suas órbitas, a Terra "ultrapassa" os outros, o que significa que Júpiter e Saturno pareceriam então mudar de direção no céu da noite.”4
https://www.skyandtelescope.com/astronomy-news/observing-news/venus-jupiter-conjunction-this-weekend-with-mars-too/
Conjunção entre Júpiter, Vênus e Marte

O fenômeno da conjunção entre planetas é o mais raro de todos, e segundo cálculos dos astrônomos, ocorreu no ano 7 AEC6. Porém, vale ressaltar que não houve um alinhamento preciso que pudesse ser caracterizado como uma única estrela5.      
Pois bem, querido leitor, não foi intenção com essas considerações buscar explicações na ciência para justificar a tradição da “Estrela de Belém”. Apesar dos esclarecimentos serem dignos de respeito, faz-se necessária boa dose de fé para acreditar que qualquer que fosse o evento astronômico, este levaria os magos a concluir que se tratava do nascimento do rei dos judeus e que os levaria até ele para ser adorado.  
Nossa intenção foi apenas compreender o que pode ter motivado Mateus a escrever sobre o assunto. Muitas civilizações antigas tinham uma relação muito próxima com os astros, pois acreditavam que eles influenciavam em nossos destinos, e até hoje muitos acreditam. Um evento astronômico dessa natureza, tais como foram relatados acima, pode ter chegado ao conhecimento de Mateus que buscou uma associação desse evento com o nascimento do Cristo.
Pois bem, querido leitor, terminamos mais uma etapa na busca do Jesus Histórico. Como dissemos inicialmente, este artigo preparou o caminho para tratar de outra tradição do presépio: os três reis magos. Até a próxima! 

Por João Viegas
  Referências bibliográficas:
1. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Mateus cap 2 vv 9.
2. Revista Super interessante - Série Grandes Mistérios - Os Evangelhos Proibidos – O Lado oculto do Cristianismo Editora Abril – ISBN 978-853641547-5   
3. Klauck, Hans-Josef. Evangelhos Apócrifos, 1º reimpressão maio 2016. Edições Loyola, tradução Irineu J. Rabuske. 


9.http://www.ccvalg.pt/astronomia/noticias/2013/11/15_cometas_historia.htm
11 http://www.siteastronomia.com/novas-e-supernovas-o-que-sao
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domingo, 17 de novembro de 2019

O Presépio: a Origem dos Animais


Escultura de Francisco de Assis no Zoológico de São Paulo
A imagem do presépio é, sem dúvida, a melhor representação do nascimento de Cristo: os três reis magos oferecendo ouro, incenso e mirra ao futuro “rei dos judeus”; anjos abençoando a vinda do Messias; animais como boi, jumento e ovelhas, além de seus pais, Maria e José, observando o menino Jesus deitado numa manjedoura. Não poderia faltar, é claro, a estrela no topo do ambiente que orientou os reis magos até o local de seu nascimento.
Mas será que todas essas tradições do presépio estão nas Escrituras cristãs?
Antes de iniciar a nossa discussão, vamos discorrer sobre alguns aspectos pertinentes ao nascimento de Jesus. O primeiro deles é a origem da tradição do presépio.
Segundo o biógrafo de Francisco de Assis, frade Tomás de Celano, foi no Natal de 1223 da Era Comum que Francisco, na cidade de Greccio, na Itália, concebeu a ideia do presépio. Ele havia pedido a um amigo que preparasse o ambiente para a celebração do Natal. Assim ele disse:
“...quero celebrar a memória daquele menino que nasceu em Belém e ver de algum modo com os olhos corporais os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno.1
O bondoso amigo prontamente atendeu o pedido de Francisco, preparando o ambiente como lhe pedira. Segundo o relato do biógrafo, aquela noite de Natal foi de uma singular emoção entre aqueles que lá estavam. Há, inclusive, o registro que um deles tivera uma visão de um menino deitado na manjedoura.  
É fácil notar que Francisco estava querendo representar a simplicidade e humildade das circunstâncias do nascimento de Jesus. Talvez haja também uma relação com o seu martírio no Gólgota, pois ele quis representar o desconforto da criança na manjedoura. Outra questão, não menos relevante, é que Francisco montou um presépio vivo, com o boi e o jumento. Além disso, não há registros das outras personagens, como Maria, José e os reis magos. Sendo assim, a tradição que transforma o presépio numa obra de arte escultural, como conhecemos hoje, é posterior ao singular Natal em Greccio.
Para finalizar essa introdução, citemos sobre a etimologia da palavra presépio. Segundo o doutor em filosofia da Educação, Gabriel Perissé, “a palavra "presépio" vem do latim praesepe, cujo significado básico é "estábulo", "curral", "redil". Está composta pelo prefixo prae = "diante", e do substantivo saepes= "lugar fechado" (e daí a nossa palavra "sebe").2      
 Apesar da clareza da etimologia, o ilustre doutor admite que a palavra presépio pode significar também simplesmente manjedoura, ou seja, o tabuleiro onde se coloca a comida dos animais no estábulo.
Feitas essas considerações preliminares, vamos a partir de agora, querido leitor, analisar separadamente as personagens envolvidas no nascimento de Jesus, com o intuito de responder à pergunta feita acima. Vamos lá?
a)    De onde veio a bicharada?
É intrigante observar que os evangelistas da Natividade não citam a presença de animais no nascimento de Jesus. A despeito do menino ter sido reclinado numa manjedoura, que é apenas citado por Lucas, e que pastores da redondeza foram convocados pelo Anjo do Senhor para celebrar o nascimento de “um Salvador, que é o Cristo-Senhor, na cidade de Davi”3, não há indícios de que eles tenham levado algum animal até o local. Ao contrário, o texto de Lucas deixa claro que eles não estavam em Belém quando tiveram a visão do Anjo e que se apressaram para ver o menino, sendo fácil inferir que, muito provavelmente, eles foram sem seus rebanhos.      
Afinal, de onde saiu o boi e o jumento do presépio de Francisco de Assis?
De um evangelho apócrifo. É isso mesmo! A tradição cristã dos animais no presépio é proveniente de um manuscrito denominado pelos especialistas de pseudo-Mateus, que é datado do sec. VII EC. Veja o que este documento diz a respeito:
Boi e o jumento no presépio são uma tradição apócrifa  
“No terceiro dia após o nascimento do Senhor, Maria saiu da gruta e se dirigiu a um estábulo. Ela depôs o menino num cocho. O boi e o burro prestaram-lhe homenagem. Realizou-se assim o que o profeta Isaías havia dito: “O boi reconhece seu dono e o asno o estábulo de seu senhor” (Is 1,3). Os animais o acolheram em seu meio e lhe prestaram homenagem ininterruptamente. Realizou-se assim o dito pelo profeta Habacuc: “Tornar-te-ás conhecido entre os animais” (Hab 3,2, conforme a LXX).”4 
De fato, o estilo literário remete-se a Mateus, por se referir demasiadamente ao Antigo Testamento com o intuito de mostrar ao leitor que as Escrituras judaicas estavam se confirmando com o nascimento de Jesus.
Há um paralelo claro entre o nascimento e a morte de Jesus nessa passagem, pois o menino fora colocado no cocho, que é a mesma coisa de manjedoura, três dias após o seu nascimento. Segundo as tradições cristãs, Jesus apareceu a seus discípulos três dias após a sua crucificação.
Outra questão relevante desta passagem é que o nascimento ocorreu numa gruta.
É curioso perceber que sem motivo aparente, Maria se desloca da gruta para um estábulo, colocando-o num cocho. Parece plausível afirmar que o menino foi levado ao estábulo apenas para ser reverenciado pelos animais, com fins de cumprimento das profecias.
Por fim, é possível inferir que o objetivo do autor, pondo o menino diante dos animais, era mostrar a realeza de Jesus, pois eles o reconheceram como seu senhor e lhe prestaram homenagens ininterruptamente. Confesso que tenho uma dificuldade imensa de compreender como um animal, seja ele quem for, presta homenagens ao seu dono e sem parar.
Apesar da tradição dos animais ser proveniente de um apócrifo, isto é motivo para descarta-la como um fato histórico?
Este artigo apresentou argumentos a favor do viés teológico da referida passagem, ou seja, é provável que ela tenha sido escrita apenas para atender as profecias. Não queremos afirmar com isso que a passagem é um total delírio. Com efeito, é possível que ele tenha nascido ou ficado num estábulo, mas essa informação pode ter sido deturpada pelo o autor do apócrifo, com fins de alcançar seu objetivo. No entanto, a questão capital está em saber qual foi o ambiente de nascimento de Jesus. Se ele esteve num estábulo durante o nascimento, que é confirmado por duas fontes, uma canônica e outra apócrifa, é praticamente certo que ficou entre animais. Porém, há controvérsias sobre qual foi este ambiente, pois segundo outros relatos, ele pode ter nascido numa gruta ou numa casa. Portanto, nossa postura é dar o mesmo peso histórico, qualquer que seja o documento, apócrifo ou canônico, desde que sejam feitas as análises históricas.         
No momento, querido leitor, faremos uma pausa sobre esse tema. Em breve, serão desenvolvidos e publicados outros artigos para discorrer sobre as outras personagens do presépio. Até a próxima! 
Por João Viegas
    Referências bibliográficas:
1. Celano, Tomás de, Vida de São Francisco de Assis, Tradução: Frei Celso Márcio Teixeira – Petrópolis, RJ: Editora Vozes.
3. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Lucas cap 2 vv 11.
4. Klauck, Hans-Josef. Evangelhos Apócrifos, 1º reimpressão maio 2016. Edições Loyola, tradução Irineu J. Rabuske. 
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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ESPIRITEENS AGOSTO 2019

Segue abaixo mais uma edição do Jornal ESPIRITEENS referente ao mês de agosto de 2019. Este jornal pertence a Juventude Amor e Luz (JAL), da qual sou evangelizador. A JAL acontece todos os sábados no Grupo Espírita Amor e Luz (GEAL), sediado na Rua Ramos Ferreira, Manaus-AM. Segue, portanto, que ele é voltado para o público jovem de 13 a 21 anos. É para mim motivo de muita alegria poder retornar as minhas origens no movimento espírita, trabalhando com jovens, e especialmente poder escrever para eles nesse pequeno trabalho, mas que foi feito com muito amor! Aproveite!

sábado, 6 de julho de 2019

ESPIRITEENS JULHO 2019


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sábado, 8 de junho de 2019

ESPIRITEENS JUNHO 2019


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sábado, 11 de maio de 2019

ESPIRITEENS MAIO 2019

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domingo, 7 de abril de 2019

ESPIRITEENS ABRIL 2019

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