sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Minha Mediunidade Sumiu! E Agora?

Cláudia Raia é a paranormal Samantha (Novela Alto Astral Globo)  
A novela das 7 hs “Alto Astral” da rede Globo é uma fonte riquíssima de debates com temáticas espiritualistas, e porque não dizer espíritas.
A atriz Cláudia Raia é a divertidíssima, mas interesseira Samantha, uma vidente trambiqueira paranormal que perdeu sua mediunidade nos últimos tempos. Para retomar a sua fama e prestígio perante a sociedade, ela armou um plano com seus comparsas: eles roubaram um laudo pericial da prefeitura que concluía que a ponte da cidade estava para desabar. Assim, de maneira bem extravagante, ela parou o trânsito da ponte, provocando na sua frente uma aglomeração de pessoas que desejavam fazer a travessia e que cobravam por sua liberação. Por fim, diante de todos, Samantha profetizou: “Escutem, escutem: essa ponte vai cair”.1 e 2 e 3
Ela criou tanto alvoroço que chamou atenção da mídia que esteve no local para cobrir o fato protagonizado pela polêmica vidente.
Durante essa confusão, os seus comparsas aceleravam o processo de desabamento da ponte, cerrando parte das suas estruturas metálicas. Diante do público revoltado e das câmeras de TV, a profecia se concretizou: a ponte foi ao chão.
Samantha saiu carregada e ovacionada pelo povo, dando entrevistas e distribuindo autógrafos. Seu plano foi um sucesso.
Desesperada por ter que recorrer a expedientes como esse para manter o prestígio e popularidade, ela recorreu a um pai de santo para recuperar a sua mediunidade que lhe aconselhou:
Samantha procura pai de santo para recuperar sua mediunidade
“Se você quer mesmo a sua mediunidade de volta, precisa ter paciência. Peça aos nossos mestres que eles vão te atender. Peça com o coração.”
Por fim, o pai de santo entrou num transe profundo e lhe disse que para ter seus “poderes” de volta, ela terá que mudar:
“Deixando a ambição e o egoísmo de lado. Mostrando bondade, compaixão e generosidade. Foi a sua ganância que afugentou esse espírito de luz que te acompanhava.”4 e 5
Os Espíritos Superiores, à época de Kardec, esclarecem que uma das causas da suspensão da mediunidade é o afastamento dos espíritos comunicantes. Afirmam também que, muita das vezes, essa suspensão é apenas temporária, retornando a faculdade assim que for cumprido o propósito da suspensão.
O afastamento dos espíritos benévolos se dá, principalmente, pelo mau uso que o médium faz de sua faculdade, quando desvirtua seu dom do verdadeiro propósito outorgado por Deus, que é “... sua melhoria espiritual, e para dar conhecer aos homens a verdade...”6. É uma lição que o médium passa para compreender que a mediunidade independe de sua vontade.
Algumas vezes, a suspensão se dá para que o médium possa refazer suas energias, já que a mediunidade requer consumo de fluido magnético animalizado, ou para refletir sobre as comunicações recebidas, interiorizá-las e praticá-las.  
Sabemos perfeitamente que o afastamento dos espíritos do bem dá lugar aos espíritos de natureza menos digna. Porém, os espíritos novamente esclarecem que se o espírito que se afastou for benévolo, ele pode impedir que espíritos inferiores se manifestem no mesmo médium. Isto é lógico, pois a única hierarquia que existe no mundo espiritual é a moral. Os espíritos superiores tem autoridade sobre os inferiores, por que a força do bem é irresistível. Esta autoridade é usada com prudência e sabedoria, para respeitar, dentro do possível, o uso do livre-arbítrio.
Diante dos esclarecimentos acima, podemos concluir que o pai de santo da novela “Alto Astral” orientou Samantha corretamente. Seu problema está no mau uso que ela fez de sua mediunidade, que destinou apenas para satisfazer o seu orgulho, vaidade e atender seus interesses materiais.
Podemos afirmar que o Espírito de luz que acompanhava Samantha, segundo o pai de santo, deu uma chance a ela, suspendendo a sua faculdade para que ela pudesse refletir sobre suas ações. Se sua mediunidade não fosse suspensa, ela certamente seria ludibriada por Espíritos mistificadores e zombeteiros que estão sempre à procura de médiuns invigilantes, para enganá-los e enganar aqueles que procuram seus serviços.
O médium vaidoso e interesseiro se vê na obrigação de oferecer seus conselhos, responder aos questionamentos e fazer premonições a todos àqueles que o procuram. Quando esse tipo de médium não dispõe de sua faculdade, utiliza-se da fraude. Portanto, é por causa das paixões humanas que até os dias de hoje encontramos a mediunidade envolvida com charlatanismo e o embuste.
Infelizmente, esse é um dos argumentos utilizados por aqueles que se opõem ao Espiritismo, pois analisam a mediunidade parcialmente e de acordo com as suas crenças religiosas ou ceticismo sistemático. Portanto, esse tema deve ser encarado com franqueza, abrindo o debate para esclarecimento dos espíritas e simpatizantes do Espiritismo, com fins de fortalecimento das suas convicções.
Por João Viegas

Referências bibliográficas:
Obs: assista as 7ª, 12ª e 13ª cenas do 1º capítulo (Segunda 03 de novembro) da novela Alto Astral
Obs: assista a 5ª cena do capítulo de Quinta 13 de novembro da novela Alto Astral.
6.    KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 64ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Capítulo XVII – Da Perda e Suspensão da Mediunidade, Segunda Parte – Das manifestações espíritas.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sou Louco ou Sou Médium?

Caíque é o personagem vivido pelo ator Sérgio Guizé
A Rede Globo de Televisão lançou neste mês de novembro a sua novela das 7hs “Alto Astral”, obra de Daniel Ortiz, com direção de Núcleo de Jorge Fernando. A novela é protagonizada pelos atores Natália Dill, Thiago Lacerda e Sérgio Guizé. Trata-se de uma comédia romântica com fundo espiritualista.1
Caíque, personagem vivido por Guizé, é um rapaz que desde a sua infância é atormentado por visões. Marcos, vivido por Lacerda, é seu irmão mais velho e sempre teve vergonha dele por se passar por louco diante das pessoas. Após sofrer um acidente de avião no qual Caíque teve sua perna quebrada durante a queda, ele só conseguiu sair das ferragens e escapar da explosão depois que uma dessas visões apareceu e o curou. Mais uma vez a sua mãe e seu irmão não acreditaram nele.
Caíque cresceu e se tornou médico. No entanto, suas visões reapareceram depois de adulto. A mesma visão que lhe salvou do desastre volta a lhe atormentar, afirmando que também é médico, mas já morreu e que precisa fazer um trabalho junto com ele.
Desesperado e sem compreender o que se passa, Caíque busca ajuda de seu amigo psiquiatra Fernando que, felizmente e para grande surpresa do público, acredita que ele seja médium e que realmente esteja se comunicando com as almas dos mortos.2 e 3
Esta novela retrata a difícil situação de muitas pessoas que vivem a experiência de ter visões e/ou de ouvir vozes, e por falta de conhecimento das leis espirituais são tachadas pela sua família e sociedade por louco e pela Medicina por alguma patologia psiquiátrica.
No entanto, a mediunidade desajustada ou mal empregada pode causar vários problemas ao médium, dentre eles citamos a obsessão estudada por Kardec, que é o maior escolho da mediunidade. Se ela não for tratada, tanto do ponto de vista do obsessor, mais principalmente do ponto de vista do obsidiado, com a sua mudança de conduta moral e ética diante do próximo, esse processo de influência persistente pode se agravar, e em casos extremos se tornar uma subjugação corporal ou mesmo uma possessão, no qual a pessoa perde o controle sobre si mesma. Vejamos os esclarecimentos dos Espíritos a esse respeito:
A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como consequência a loucura?
“Pode, a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura ordinária. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tornamos verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com as duchas.”4
O Espiritismo não nega a existência das patologias psiquiátricas, mas é seu desejo separar o que é realmente doença daquilo que é problema espiritual. Assim, a Ciência do Espírito vem exatamente cobrir a lacuna que a Ciência da Matéria não consegue fechar, pois muitos fenômenos da natureza são ignorados por ela, por não admitir a existência do Espírito.
Kardec resume esta questão de forma brilhante como segue abaixo:
“Assim como a Ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual. Ora, como este último princípio é uma das forças da Natureza, a reagir incessantemente sobre o princípio material e reciprocamente, segue-se que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação.”5
Apesar de muitos equívocos e desenganos, a Ciência já fez alguns progressos neste sentido. O Código Internacional de Doenças, conhecido como CID-10, é um documento publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que visa padronizar e codificar todas as patologias conhecidas pela Ciência. O CID-10 é amplamente utilizado por profissionais de saúde com o intuito de ajudá-los na pesquisa de diagnósticos clínicos de seus pacientes.
    O CID, no seu item F.44.3 - Estados de Transe e Possessão - configura como diagnóstico médico e qualifica o transe patológico (mediunidade/doença) quando o indivíduo não tem controle sobre o fenômeno, ocorrendo de forma involuntária e não desejada. Mas não é considerada doença o estado de transe (mediunidade/saúde) sob domínio da pessoa em seu contexto cultural ou religioso.6
      Portanto, os médiuns que empregam suas faculdades sensitivas em sessões espíritas ou em instituições religiosas que se utilizam de tais práticas, não possuem patologia de qualquer natureza conforme o CID-10.
Os médiuns, como Caíque da novela “Alto Astral”, que insistem em negar que o são e vivem atormentados pela sua própria faculdade, devem refletir sobre a sua postura diante do dom de ser intermediário entre os mundos espiritual e material. Eles devem perceber que tem diante das mãos a belíssima oportunidade da prática no bem pelo bom uso da sua faculdade e a possibilidade ímpar de ser mais um a contribuir na demonstração da imortalidade da alma perante a nossa Sociedade tão materialista. Por fim, as filosofia e ciência espíritas bem compreendidas por médiuns e seus familiares é altamente consoladora e esclarecedora, algo que nem a ciência e nem as religiões podem oferecer a humanidade.
 Por João Viegas
 Referências bibliográficas:
3. http://gshow.globo.com/novelas/alto-astral/capitulo/2014/11/7/laura-termina-noivado-com-marcos.html
            Obs: assista as 1ª, 6ª e 7ª cenas do capítulo de Sexta 7 de novembro da novela Alto Astral.
     4. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 64ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Capítulo XXIII – Da Obsessão, Segunda Parte – Das manifestações espíritas.
5. KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 38ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Capítulo I – Caráter da da revelação espírita.
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