A mensagem, cujo título é “Lidar Consigo Mesmo”, publicada aqui no blog, traz muitas reflexões e também possui alguns símbolos que cabem uma análise para compreendermos o seu verdadeiro sentido. Vamos abaixo tecer comentários a respeito:
O Espírito procura mostrar a oportunidade de
aprendizado decorrente das medidas preventivas de contenção da pandemia do novo
coronavírus, em especial, das medidas de isolamento social. Isolar-se da
sociedade traz dois desafios: o de conviver com a solidão e com aqueles que
moram conosco, a nossa família.
A solidão é uma oportunidade para lidar com os
próprios sentimentos: a angústia, o medo e o temor. Essas são as palavras do
Espírito. E lidar com eles é motivo de muito sofrimento, sendo o convívio com a
sociedade a nossa válvula de escape. Com isso, a solidão é um caminho para o
autoconhecimento. E o processo de transformação moral deve ser precedido dele.
Mas o Espírito vai mais além, afirmando que a solidão é uma oportunidade para
se amar. Se amar, neste sentido, pode ser compreendido como aceitação da nossa
própria condição moral. Enfim, autoconhecimento e aceitação são os ingredientes
necessários para a autotransformação.
Ainda falando da necessidade de se amar, o Espírito remete-se
implicitamente ao 2º mandamento cristão: “amar ao próximo como a si mesmo”,
pois só é possível amar o outro quando se ama, só é possível aceitar o outro
quando se aceita, só é possível cuidar do outro quando se cuida, só é possível
admirar o outro quando se admira. Enfim, a regra de ouro, representada na lei e
os profetas, resumida na frase “fazer aquilo que gostaríamos que nos fizessem” é
ressignificada, pois o bem deve ser feito inicialmente a si mesmo, e com este
aprendizado adquirido, temos condições para fazer o bem ao próximo e amá-lo.
Mas há outro desafio: o do convívio familiar. Estar
isolado implica ficar mais tempo com aqueles com quem moramos. E diante de um
cenário hostil que vivemos de confinamento, com sentimentos não muito nobres a
flor da pele, qualquer desentendimento, por menor que seja, pode desencadear um
conflito sério, ao ponto de chegar em agressão física. Com efeito, a imprensa
tem divulgado um aumento das denúncias de violência contra mulher nesse período
de confinamento. Infelizmente, é um efeito colateral desta crise. Diante desse
quadro, a tolerância é um caminho para pacificação, sendo a sugestão do
Espírito simples e direta: “aproveita esse momento para conversar”.
O Espírito tece críticas às religiões que distorceram
seu papel diante da nobre função de contribuir na comunhão das mulheres e
homens para com Deus. Um exemplo desta distorção são os crimes de intolerância
religiosa sofridos por religiões afrodescendente, infelizmente motivados por um
sentimento equivocado de fundamentalismo religioso. Esta questão, inclusive,
foi tema de um artigo do blog. Enfim, “Matar em nome de um Pai” parece distante
para os brasileiros, mas não é incomum em outras regiões do mundo. Cito, como
exemplo, o ataque assassino a redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo
em 2015, no qual 15 pessoas foram mortas por extremistas islâmicos por Alá e vingança
à Maomé.
Para falar propriamente das mortes provocadas pela pandemia
do novo coronavírus que assola o planeta, o Espírito utiliza-se de um símbolo
mítico: a Mãe Natureza. E esclarece que esta pandemia é um processo educativo,
pois permite a mulheres e homens aprenderem a lidar com os sentimentos mais
grosseiros, que nos afastam de Deus. O medo da morte é um deles. Numa visão
espiritual deste momento, até a morte é um processo educativo para o espírito
imortal que volta à Pátria Espiritual.
Por fim, é feito um alerta: é possível que nem todos
aprendam com esta crise, e quando ela terminar, quando voltarmos ao convívio na
sociedade, os sentimentos mais grosseiros como egoísmo, orgulho, inveja,
vaidade, apego à matéria, ciúme, violência, ódio, rancor e tantos outros voltem
com muito mais força do que antes. E o Espírito lança mais um símbolo: a manada
sendo atacada por leões. Do ponto de vista espiritual, podemos interpretar este
símbolo como os processos obsessivos em massa que são justamente viabilizados
pelos sentimentos citados acima. Sendo assim, quando o Espírito afirma que “os
leões atacam os doentes”, ele está se referindo as doenças da alma, que são os
vícios morais, causa de todo nosso mal.
Ele termina de forma enigmática, pois coloca esse
momento como um processo de educação moral, de fortalecimento da fé em Deus e
em si mesmo. Sugere, portanto, que quando chegar momentos mais difíceis do que
esse, estaremos prontos para enfrentá-lo, assim como o soldado está pronto para
guerra.

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